E lá foram eles pela noite dentro de frontal na cabeça como ciclopes furiosos à procura dos seus Ulisses petrificados. E quem quiser continuar a seguir o percurso destes escaladores é procurá-los nas fotografias destes blogues:
http://fanaticosdarocha.blogspot.com/
http://bouldersintra.wordpress.com/
http://brunoplim.wordpress.com/
http://nortebouldering.wordpress.com/
De que se trata? De um culto pagão a deuses litosféricos? De artistas pós-modernos de pinturas rupestres? Pela ansiedade e desassossego com que contemplam o cimo desse bloco, será talvez um ritual mágico de levitação.
Até que por fim, um deles, musculado como um guerreiro de Shaolin, coloca as mãos sobre a pedra. Concentração absoluta, todos os nervos tensos, toda a energia canalizada para um movimento. As suas costas transformam-se e pequenos monstros parecem querer sair-lhe das entranhas. Já em transe, treme convulsivamente. Mas levitar nada. Alguma coisa falhou na magia ou talvez os deuses sejam desfavoráveis…
- Foda-se pá! Isto é impossível! Só mexo os olhinhos! Esta reglete não existe!
- Estás a colocar mal o calcanhar. O joelho tem que estar virado para fora!
- Estou a dizer-te. I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L !!! Hoje não é o dia. Já não tenho dedos p’ra isto.
- Karma pá, dá-lhe mais um pegue... É preciso Karma para o “Karma da Serra”…
Afinal, não se tratavam de acólitos de uma seita satânica, nem de ocultistas negros veneradores do pó branco, eram apenas um outro tipo de fanáticos, adoradores da pedra perdida, adeptos da força inútil, aspirantes ao Nirvana petrificado, seguidores da trepa perfeita. Maltrapilhos mentais da sociedade urbana e reis-filósofos da harmonia do gesto. Enfim, escaladores de bloco! Mas vamos observá-los um pouco mais de perto e ouvir o que dizem. Afinal, nada melhor do que obter informação através dos locais para se ficar a conhecer a história, os principais actores e os melhores e piores blocos da serra.
Enquanto arrumam as suas tralhas, escovas de dentes e escovas de aço, panos e paninhos, sacos de magnésio gigantes, amostras de mochilas, tapetes e carpetes, a conversa vai continuando animada:
- Vamos embora! Ainda temos tempo de ir ao Kalash, acho que é mais fácil que este.
- Mais fácil os tomates pá! O Jerry Moffat estrebuchou que nem um porco quando lá foi!
- ‘tá bem, mas o Ben Moon passeou-se!
- Passeou-se!? Tremia como uma Maria!
- Quando é que foi isso?
- Há uns anos, quando esteve cá aquele gajo do Jingo Bingo Badjobbly guides.
- Ah, já sei! O gajo que anda a gamar croquis pelo mundo!
- De qualquer maneira o gajo impressionou quando abriu o “Gripless”. Olha o tempo que demorou a ser repetido. E encadeou sem truques nem pezinhos na aresta.
- Sim, mas o Kalash está um furo acima. Nunca na vida será 7b+.
- 7b+, 7c ou 7c+… os blocos só deviam ter duas cotações: cagada ou impossível, ou fazes ou não fazes!
Saiu neste Verão um artigo sobre bloco na Serra de Sintra na revista espanhola CampoBase (nº66 de Agosto). As fotografias dispensam elogios já que são todas do Ricardo Alves (Macau) e o texto foi o que se arranjou entre umas tardes a blocar nos calhaus da serra, uns copos de vinho do Porto e umas trocas de e-mails com alguns críticos literários de dedos talvez mais habituados às pedras que às folhas de papel e por isso mesmo mais pertinentes. De dizer também que a excelente tradução para castelhano foi feita pelos Ataídes, Francisco e Carolina.
Como a maior parte dos escaladores não teve acesso à revista vamos colocar aqui o artigo na sua versão original, aliás, até numa versão um pouco aumentada, pois a versão publicada foi orientada para um público mais… mais… enfim, mais castelhano ou matreco. De qualquer maneira, para fazer render o peixe e para não vos atirar de uma só vez com o texto inteiro, vamos colocando o artigo por partes.
Nota: antes de iniciarem a leitura é favor desligar o fast food consumption mode, pois encher os olhos como se fossem um bandulho lírico nunca foi o meu objectivo ao escrever sobre Sintra.
Hoya- Moros revela-se uma excelente opção para blocar no pino do Verão e uma vez mais, em pleno Agosto, uma turminha de tugas fanáticos juntou-se neste idílico vale glaciar a mais de 2000 metros de altitude para apertar nos seus blocos amarelos florescentes.
A turminha fanática (da esq. para a dir.): Ricardo ''Wolverine Vegan'' Miguel, Mário ''CC'' Inocêncio, Rui ''Sho'' Pereira, Queirós e Luís ''Bibs'' Barbosa. A juntar Rita Silva e Ricardo ''Macau'' Alves que não estão na foto!
Foram 2 dias intensos de bloco, com muita rambóia pelo meio…
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Sho Pereira a mostrar como se lida com as vacas ou com os bois…
Bem, mas voltando aos blocos, aqui ficam umas fotos do FDS:
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Bibs no seu projecto da viagem, que sacou no 2º dia!
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Luis Alonso num dos melhores blocos que provamos, o ‘’Flautista de Cimata’’ – 7b+/c. Repetido por Macau ao 2º pegue!
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Macau a encadear uma linha à direita do Flautista, o ‘’Torre de Hanoi’’ – 7c, que possivelmente é um FA! (1ª foto por Rita Silva e 2ª foto por Bibs)
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Rodrigo Rodriguez a provar a mesma linha. Um dos melhores de Hoya-Moros!
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Sho Pereira a desmotivar com a saída do bloco da plaquete. Aliás, ninguém o sacou mesmo…
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Mário a dar-lhe na aresta 7a, que é um dos blocos que mais gosto de fotografar em HM!
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Queirós no mesmo bloco, com os blocos banhados pela luz dourada do fim de tarde.
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Wolverine no desfrute dos últimos raios de luz a entrar no vale!
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Rita Silva a encadear um bom 6a+ do sector Pradera.
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CC apertando numas réglets pinchudas…
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O possante ‘’Atila’’ – 7b+/c sob as garras do Wolverine.
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Mário a dar um bom pegue no mesmo bloco, mas infelizmente a cair no último passito!
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Macau flashar o Atila, com a ajuda do '’beta’’ minucioso do Mário.
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Dois blocos novos que fiz, o ''Shiva'' - 7b e à esq. o ''Muna'' - 7b+.
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CC a fazer um amigo nas montanhas!
Full report fotográfica AQUI!