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05-12-08

Permalink 18:16:36, by Nuno Pinheiro Email , 433 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica

Como bons provincianos que somos, cada vez que por cá aparece um escalador que fala noutra língua vamos a correr ver o que ele escala e ouvir o que ele diz sobre as nossas vias, como se por vir de fora ele tivesse um estatuto à partida superior. É um complexo de aldeia que se vai perdendo à medida que evoluímos como escaladores e percebemos que escalar é mais do que chegar e subir vias. Quando percebemos que a “maneira” como se sobe é mais importante do que a subida.

Desde há muitos anos, vêm arribando as estrelas das revistas, e agora da Net, a este pequeno rectângulo/cantinho. O primeiro, que me ocorre agora pois terão havido outros, foi o Roberto Cortiço e que deixou uma triste marca para sempre gravada no granito perdido lá para o meio do Parque Natural de Montesinho: O bobo das estepes. A via, que dizem ser o primeiro 8a de Portugal, é também uma do Top Ten das mais merdosas. Anos mais tarde, passou também o António Panestrel, que trazia 8c+ na bagagem e provou no Portinho duas belas pérolas: O Mangallon e a Scaramouche. Era um artista e escalava bem, mas o estrelato emproava-lhe o nariz e não deixou boa impressão.

Ceder à celebridade é uma triste fraqueza e é um triste facto que a celebridade estraga o carácter de quem é pequenino, por dentro digo. É como se fossem anões dentro de um invólucro. Entretanto, o mundinho cresceu e já dezenas de maiores ou menores astros por cá passaram. Obviamente, devemos ser hospitaleiros e é com alegria que mostramos e “oferecemos” as nossas melhores vias a quem nos visita e se revela “merecedor” do que melhor temos. E sobretudo é um prazer ver quem partilha de um mesmo espírito escalar as vias que abrimos e que para nós têm um significado especial.

Desta vez, está por cá o Nicolas Favresse. Numa semana mostrou que existe uma outra escala de se ser um escalador forte. Além do mais, pelos vistos, a graxa mundial de quem apenas gosta de adorar estrelas, não lhe estragou a simplicidade. Para terem uma ideia do percurso deste escalador dêem uma olhada aqui:

http://www.nicolasfavresse.com/

O Nicolas vai apresentar uma sessão de slides sobre um “Big wall” que escalou no Paquistão. Esta 3ª feira (dia 9), no Centro de Interpretação de S. Pedro do Estoril (Ponta do Sal), pelas 21 h. Sem dúvida não se pode perder.





Charakusa valley, Pakistan, fotos retiradas da página do Nicolas Favresse

FCS

02-12-08

Permalink 21:31:17, by Nuno Pinheiro Email , 293 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica

No final de Setembro finalmente escalei no Penedo da Abelha em Góis.
O Grilo e o Fernando, dois dos equipadores, há muito que me falavam do lugar com grande entusiasmo fazendo com que as minhas expectativas fossem altas, mas mesmo assim, fiquei agradavelmente surpreendido.

O Penedo da Abelha situa-se ao pé da aldeia da Pena, um pequeno aglomerado de casas perdido no meio da Serra da Lousã. A base do sector é um bosque de grandes e bonitos carvalhos, a parede tem mais de sessenta metros de altura, a rocha é quartzito de alta qualidade com tonalidades cinzentas, amarelas e vermelhas. As presas são muito variadas, desde as mais comuns como: fendas, regletes, buracos e aplats até umas formas peculiares tipo cabeça de galinha. Existem mais ou menos quinze vias quase todas com dois ou três largos. Muitos do largos são mistos, alguns desportivos e alguns só têm as reuniões equipadas. O grau predominante anda à volta do 6c-7a. A parede é orientada a Oeste e é proibido escalar na época de nidificação (Janeiro a Agosto? não tenho a certeza).



Enfim...o Eldorado!!! - 7a



Grilo

Todas as vias que escalei eram de grande qualidade e ficaram por provar outras tantas com óptimo aspecto. O único senão é existirem poucas vias acima de 7a, só havendo a “Vive Selvagem” (7a+) e um projecto. Duas diagonais: a primeira é uma travessia de quarenta metros e a outra segue uma fissura que rasga o extraprumo laranja. O projecto ainda não tem nenhuma plaquete mas em princípio vai ter um perno a proteger os passos mais expostos, é uma via curta tendo a zona dura à volta de dez metros. O grau andará à volta do 7c+








Projecto

Fotos da autoria de Fernando

Tags: góis

24-11-08

Permalink 22:15:45, by Nuno Pinheiro Email , 1885 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica



2º largo da "Via de La Luna" foto retirado do blog Subidos al Peñasco

Tudo começou há uns meses atrás nos convívios que se sucedem às sessões de slides na Associação Desnível. Veio à conversa os Galayos, o Filipe encontrou o guia numa estante e de imediato escolheu o objectivo, Tiempo de Cambio 7a+. Pouco sabíamos acerca dos Galayos e muito menos acerca do sector onde a via se localizava, mas olhando para as fotos e graus esta era uma das mais duras e com aspecto mais vertical que aparecia no guia (desactualizado). 7a+ pareceu-nos um bom desafio pois sabíamos que eram vias de fissura, uma escalada em que estamos pouco à vontade.

A aventura ficou apalavrada para o fim-de-semana grande do 15 de Agosto. O tempo foi passando e afinal o Filipe não tinha disponibilidade. Além de mim, dos possíveis interessados já só restava o Fernando que no início de Agosto ficou a saber que também não podia. Quando já estava resignado a esquecer o assunto, o Fernando enviou-me informação acerca da zona, Peña del Águila, onde se situava a tal via. Quando vi as fotos, os topos actualizados e li as descrições fiquei de tal forma impressionado que não tive sossego enquanto não arranjei uma alternativa. Pensei em procurar outro companheiro de cordada, mas não me pareceu justo pois o Fernando estava motivado e tinha sido ele a efectuar todo o trabalho de pesquisa. Decidimos gastar um precioso dia de férias e adiamos para o fim-de-semana de 23.

A Peña del Águila situa-se na serra de Gredos à altitude de quase dois mil metros. Embora faça parte dos Galayos fica longe do refúgio. O acesso é difícil, não há água a menos de uma hora, tem uma pequena base ideal para bivacar mas tudo o resto é íngreme e escarpado. Isto implica uma grande logística, pois é necessário levar tudo às costas para sobreviver durante os três dias.

Preparámo-nos o melhor possível, procurando informação nos blogs e trocando e-mails com alguns escaladores espanhóis. Ficámos a saber que há duas hipóteses para o acesso: ou ir pelo caminho comum para o refúgio e no final efectuar umas trepadas de terceiro grau ou aceder por trás que é duro na mesma mas não há que escalar. Optámos pelo segundo embora não haja consenso nos fóruns espanhóis de qual a melhor alternativa.

Dia 22 às 17:15 saímos de Lisboa, a viagem fez-se rápido só com uma pequena paragem para abastecer. Às 22:30 já andávamos às voltas a tentar seguir as indicações dos nuestros hermanos. Ao fim de hora e meia perdidos na floresta, estilo Blair Witch Project, acabamos por desistir e optar por ir dormir. Neste tempo, além de fazermos umas quantas caminhadas a ver se valia a pena seguir por estradas de aspecto duvidoso, houve uma altura que estávamos de tal forma perdidos que já nem conseguíamos voltar ao ponto inicial. Ao tentar regressar enfiamo-nos num caminho circular e começamos a ter a sensação de deja vu, mas só quando chegamos ao mesmo ponto pela terceira vez, ou seja ao fim de duas voltas completas, é que nos apercebemos que estávamos a andar em círculos!

No dia a seguir, rapidamente encontrarmos o caminho e começamos a penosa caminhada com tudo às costas. Água, comida, roupa, colchonete, saco cama, friends, expressos, corda, etc. Foram duas a três horas de sofrimento com muitas paragens para ganhar fôlego e descansar as costas! Várias vezes me veio à cabeça a caminhada que fiz nos Tepuys e mais uma vez tive a certeza que não nasci para fazer trekkings! Tentei motivar-me com o pensamento de que quanto maior o sofrimento maior a recompensa, mas embora verdadeira esta frase serve de pouco consolo na hora de aguentar com uma mochila de 30 kg às costas.



Chegados lá acima, depois de um rappel chato para chegarmos ao bivaque, ainda antes de escalar já sentia que tinha valido o esforço pois o lugar é incrível e o bivaque é uma varanda com uma vista privilegiada que dá a sensação que se está a meio de uma parede grande.



2º largo da "Tiempos de Cambio" foto retirado do blog Subidos al Peñasco

Embora cansados da caminhada consegui convencer o Fernando a começarmos pelo objectivo inicial. Tiempos de Cambio 6a+, 7a+, 6b+, V. Os largos deram alguma luta mas saíram com mais facilidade do que estávamos há espera e sendo assim ainda fui provar o primeiro largo do Sueño del Navegante (7b) para saber se podíamos sonhar em escalar a Via de la Luna (7c+, 7b+, 7c). Mais uma vez as coisas correram melhor que o previsto e chapei o top após uma luta intensa com alguns momentos de muita tensão devido à dificuldade de proteger. Na secção mais dura a fissura é estreita e aberta, perdi algum tempo e acabei por ficar bastante nervoso ao tentar colocar uns micro-friends mas sem grande sucesso! Já de asa completamente levantada e com pouco oxigénio no cérebro para conseguir pensar, abstraí-me de que a última protecção estava longe e fiz um passo extremo com os pés em aderência. Alcancei a parte mais larga da fissura onde pude colocar um camelot vermelho à bomba, de repente a gravidade baixou em flecha, consegui respirar e acalmar o ritmo cardíaco. Devido ao inchaço nos braços segui até à reunião com algumas dificuldades mas muito menos tenso, o final tem uma plaquete e o resto é de fácil protecção. Fizemos uma salada e fomos dormir quando ainda não era totalmente escuro pois estávamos mortos de cansaço.





1º largo da "Sueño del Navegante"




No segundo dia fomos acordados com as cabras ao nosso lado e podemos apreciar o espectáculo de as ver escalar. Foi um dia de vias de grau mais baixo mas não necessariamente mais fáceis. Sulayr: V, 6b+, 6a+, 6b,V. O largo de 6b+ é uma fissura estilo Indian Creek, perfeita, comprida e na qual entra sempre o mesmo número, o que à falta de muitos repetidos obriga a espaçar os friends. O largo de 6b é um offwith onde até o friend número cinco fica quase totalmente aberto. Os três friends que coloquei acabaram por cair assim que comecei a puxar a corda para dar segurança ao segundo cordada!



2º largo da "Sulayr" - única cordada que vimos nos três dias



"Sulayr"



Off-with no 3º largo da "Sulayr"

A seguir fizemos a Danza del Fuego: 6a+ ,6a+, IV. Outra via de grande qualidade e desta vez sem surpresas embora o grau não esteja fácil. E para terminar o dia havia que fazer o primeiro largo da Luna. As esperanças de encadear eram poucas, mas havia que fazer este largo, se conquistássemos o top sem grandes dificuldades ficávamos à vontade para os próximos largos pois este tem fama de ser o mais duro tanto de proteger como de escalar. Além disso queríamos deixar a corda fixa na reunião para no outro dia termos menos um largo para fazer, a via é orientada a sul e com o calor que fazia as condições só estavam razoáveis de manha bem cedo ou ao final da tarde. Cumprimos os objectivos mas como se esperava não encadeámos a via.



2º largo da "Danza del Fuego"

A “Via De La Luna” é para mim a mais estética da parede e uma das mais incríveis linhas que vi na minha vida. A via tem quase a minha idade tendo sido aberta em 1978 por Pedro Nicolás e António Romero. Segundo os fóruns nunca foi encadeada a colocar as protecções e a primeira ascensão em livre foi realizada pelo super fanático Daniel Andrada que juntou o segundo e o terceiro largo num só e cotou de 8a+.



2º largo da "Via de La Luna" foto retirado do blog Subidos al Peñasco

Terceiro e último dia, levantar ao nascer do sol, comer e ir rapidamente para a parede pois já tínhamos deixado tudo pronto de véspera. Para aquecer jumariar o primeiro largo recorrendo a um gri e um prusic. O segundo largo da Luna, deve ter à volta de vinte metros e decorre por uma magnifica fissura em forma de meia-lua. Ao ver tantos metros de fissura contínua e sem um único ponto fixo para proteger receava não ter friends suficientes. Além de todos os micro que tinha coloquei alguns friends maiores no arnês com esperança que a fenda em cima fosse mais larga.

Comecei a escalar de forma muito tensa e com poucas esperanças de ser bem sucedido. Fui evoluindo com dificuldades mas encontrando sempre posições razoáveis para me acalmar mais do que repousar fisicamente. À medida que ia subindo, fui-me apercebendo que só iam entrar friends abaixo do 0.5 e fui tentando poupá-los o mais possível. Embora pequenas a grande maioria das protecções estavam a ficar muito bem colocadas dando-me alguma tranquilidade. Ao ver-me na parte final da meia-lua, comecei a ter esperanças de encadear a via, não sabendo que me faltavam ainda os dois cruxs.

No final da meia-lua e na entrada da fissura vertical começam os passos duros e é a zona mais psicológica, pois a fissura é muito aberta não sendo por isso possível proteger antes de fazer o movimento. Passado este movimento é possível proteger muito bem mas ainda é necessário fazer os passos mais difíceis e técnicos de toda a via para alcançar a reunião. Foi um final extremo, mas ao fim de mais de trinta minutos de luta e medo não ia cair nem que tivesse que morder as presas. Num ano em que me dediquei muito à escalada e no qual encadeei as minhas vias mais duras tanto à vista como trabalhado, chapar este top foi talvez a realização que mais alegria me deu.

O sol começava a aquecer, eu sentia-me exausto, cansado psicologicamente e sem vontade de passar pelo mesmo outra vez. Ao ver que a reunião tinha quatro pitons dois deles com muito bom aspecto decidimos rapelar e deixar o terceiro largo para outra oportunidade.

Mais ou menos no centro da foto é fácil identificar a fissura em forma de meia-lua do segundo largo da Luna.

Antes de regressar ainda provámos um off-with de 6c, escalada muito estranha e um pouco suja, acabando por dar muita luta. O primeiro largo embora fácil era totalmente podre. Na descida, demoramos menos de 45 minutos e acabamos com um belo banho num tanque mesmo ao lado de onde tínhamos o carro estacionado.

O fim-de-semana acabou no trânsito da IC19 para nos fazer voltar à stressante realidade urbana.





Croqui retirado do blog Subidos al Peñasco




Zetas, caminho de acesso ao refúgio dos Galayos



Patrocínios

Todas as fotos excepto as retiradas do blog Subidos al Peñasco são da autoria de Ferman

20-11-08

Permalink 19:44:23, by Ricardo Alves Email , 238 words   Portuguese (PT)
Categories: Bloco

No Fim-de-semana passado fomos espreitar o novo spot em El Real de San Vicente, que fica a menos de 550Km de Lisboa. A malta era eu, Rita Silva, Pena e Edgar e o plano era ir fazer umas borlas a San Vicente, aproveitando o FDS ''prolongado''. Afinal, não havia borlas nenhumas e pagámos bem, com a pele, músculos e não só... o Chuletón de Buey que o confirme!

Nos vários sectores que visitamos, Jungla, Tiburon, Castillo de Bayuela e Farallon, não havia muitos blocos fáceis para aquecer, mas a qualidade dos blocos duros era inegável, principalmente no Farallon, um terraço natural com uma muralha de impressionantes blocos extraprumados! Brutal!!

Encontramos lá muita gente forte e fanática, o Carlitos, Fernando, Pavi, Alvarito e até o nosso amigo Jhonny, que nos guiaram pela zona e mostraram os melhores blocos. Algumas pérolas não tinham mais de um mês!

A nível de encadenes, fiz o ‘’Muse’’ – 7a+/b a flash, ‘’El Mudo Feliz’’ e ‘’Meniscectomía‘’ ambos 7b e ‘’El monstruo de artouste’’ – 7a+.

Aqui ficam algumas fotos da bloctrip:

Rita a encadear ''La Cresta'' - IV do Jungla:

Pena a provar o ''Muse'' - 7a+/b de Castillo de Bayuela:

Alvarito a dar-lhe no mesmo bloco:

Pena num bloco do sector Tiburon:

Fotos do Pena e Edgar no fantástico ''Dosage'' - 7b+ do Farallón:

18-11-08

Permalink 11:59:10, by Nuno Pinheiro Email , 9 words   Portuguese (PT)
Categories: Desportiva

Lauren Lee na "Gula" - 7c+
Foto Keith Ladzinski

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