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17-11-08

Permalink 15:07:54, by Nuno Pinheiro Email , 279 words   Portuguese (PT)
Categories: Desportiva

Se tivesse que eleger o melhor sector de escalada desportiva de Portugal, não teria dúvidas em escolher o Corgas em Sagres. Mas mais uma vez não há bela sem senão, a parede está encharcada muitos dias por ano, sendo muito difícil de prever se estará em boas condições. É mais fácil que esteja seca num dia frio de sol no Inverno do que num dia quente de Verão.

No início de Setembro de 2007 equipei o primeiro oitavo do sector, "Ensopado de Sapato". Nesse dia, dois sapatos caíram ao mar tendo sido facilmente recuperados pois ainda era Verão, mas um deles tinha o destino traçado e acabou por morrer afogado no Espinhaço.

Ao longo deste ano em quase todas as minhas viagens a Sagres assediei a via. Só ao fim de três fins-de-semanas de pegues consegui resolver todas as sequências e em Abril comecei a ver cor à via. Durante todo este tempo não houve um único dia em que a via estivesse totalmente seca, facto que me levou a desistir do Corgas nos últimos meses.

Este fim-de-semana a previsão meteorológica parecia excelente e as nossas melhores expectativas foram superadas, a parede estava em óptimas condições! No sábado caí no último passo e no domingo finalmente fiz a primeira ascensão.

O André deu um pegue, tendo flashado toda a sequência de baixo que a mim me levou um ano a encadear! Acabou por cair num segundo crux mais acima, continuando a via à espera da primeira repetição e confirmação do grau, mas dificilmente baixará de 8a+.

Fotos Keith Ladzinski

10-11-08

Permalink 20:11:17, by Nuno Pinheiro Email , 1400 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica

Para falar das três zonas que prometi no primeiro post já só me falta a Serra da Estrela, o local onde mais escalei este Verão.

A Serra é sem dúvida um dos locais de escalada por excelência em Portugal e merece todas as estrelas do seu nome. É uma zona cheia de tradição e onde desde há muitos anos se vêm escrevendo, lentamente mas com sabor próprio, algumas páginas da história da escalada lusitana.

Para mim é o nosso Yosemite e o Covão d'Metade o nosso Campo IV. Mas não nos podemos esquecer de que estamos em Portugal, por isso, enquanto em Yosemite escalam milhares de pessoas, na Serra escalam dezenas. E enquanto o campo IV é considerado monumento nacional, o Covão está ao abandono e cheio de lixo dos piqueniques domingueiros. No vale mais famoso da escalada mundial as vias estão polidas, na Serra normalmente estão cobertas de musgo. Lá as paredes têm mil metros, aqui têm cem.
No entanto, apesar de todas estas diferenças, estes lugares têm em comum o ar da montanha, o granito, a escalada clássica, os blocos e, quanto mais não seja, as estrelas…

Também, tal como em Yosemite, a maioria das vias foram abertas em artificial e aos poucos vão sendo libertadas, mas enquanto no El Cap já não há um metro quadrado de rocha virgem, na Serra ainda há muito por descobrir. Motiva-me muito olhar para linhas incríveis, ainda por libertar ou abrir, sem saber se serão possíveis, sem saber se conseguirei proteger de forma que me sinta suficientemente seguro. Esta incerteza faz-me sonhar e faz-me esperar ansiosamente pelo próximo dia de escalada na Serra da Estrela.


Face Oeste do Cântaro
Foto: Miguel Catita

Embora exista um excelente sector de desportiva (Corredor dos Mercadores) e muito bloco, este Verão dediquei-me exclusivamente à clássica, sem dúvida o ex-líbris da Serra.

Para reduzir a lista das vias vou escrever apenas sobre as melhores de entre as melhores:

Shaktis Ausentes L1, 7c+, 15 metros

Para um escalador desportivo este é sem dúvida o melhor largo de clássica da Serra. Não tem passos mitrados em placa tombada, nem fissuras de entalamentos freudianos, nem diedros manhosos. É uma via extraprumada de continuidade em presa grande, normalmente invertidos, e com maus pés. Tem duas chapas mais top, mas é segura de fazer sem nenhuma das protecções fixas (ou seja, há ali duas excelentes chapas que se podem doar ao SEA e que podem contribuir para desmetalizar a Serra).

Esta via foi aberta em 95 pelo Roxo e pelo João (Artista) sem recurso a nenhum ponto fixo excepto no top, mais tarde o Francisco Ataíde e o Sérgio Martins, desconhecendo que a via já estava aberta, acrescentaram as duas chapas. Apesar de ter sido eu o primeiro a libertar a via, foi o Leo quem fez o verdadeiro FA, a colocar os friends e sem usar as plaquetes. Diga-se que, embora os friends fiquem à bomba, a sua colocação faz inchar consideravelmente, para além dos braços e da cabeça, a dificuldade da via.

Curta descrição destes encadeamentos vista pelo Capitão América (Chris Weidner):
http://www.dailycamera.com/news/2008/jul/08/captain-america-falls-to-portuguese-on-serra-de/

Mais informação sobre a via:
http://rppd.blogspot.com/2006/06/shaktis-ausentes-ainda-esta-temporada_02.html


Zé Abreu na Shaktis


Bruno Gaspar na Shaktis

Fotos: Márcio Parente

Apocalipse Crack L2, 7b, 25 metros (embora a fissura não tenha mais de 10m)

Se o primeiro largo da Shaktis é o melhor para a maltinha do músculo (leia-se escaladores desportivos) este é o melhor para o típico classiqueiro fissureiro (leia-se maltinha do miolo). Fissura única em Portugal, perfeita, de granito muito sólido e grão fino (não confundir com grã-fino). Começa com um pequeno tecto e passa de seguida para uma parede um pouco extraprumada com poucas presas a não ser a fenda. A fissura vai estreitando, começando com entalamento de mãos e acabando com os dedos em terroríficos ring locks.

Infelizmente, não há bela sem senão… e no Verão esta fissura é o Benidorm de uma colónia de morcegos. Não sei se estão bem a ver, é mais ou menos uma fissura de apartamentos cheia de morcegos com vista para o vale. E o problema é que parece que é uma colónia da terceira idade e sofrem todos de incontinência crónica. Quando se alcança a reunião do primeiro largo começa-se a levar com descargas contínuas das diarreias de mosquitos que eles andaram a comer durante a noite! E pior! A fenda onde temos de entalar as mãos, escorre e tresanda a túnel de Alcântara a seguir a uma festa da cerveja nas docas! Não sei o que vos diga, mas à falta de fato-macaco de desentupidor de esgotos, aconselho o uso de capacete ou pelo menos de um boné!

Sem contar com o medinho. Ao princípio, é tal o chinfrim que se ouve na fissura, que apetece tanto lá pôr as mãos como num aquário de piranhas. E o melhor é não olhar, porque lá dentro há milhares de dentinhos a bailar no escuro, num fundo de bolinhas peludas e patinhas e orelhas descarnadas. Parece uma reunião de uma seita de ratinhos satânicos, histéricos e esfomeados. Mas, à medida que se vai avançando pela fissura, os morcegos vão recuando e a chiadeira diminuindo, o que demonstra que morcego que guincha não morde, mesmo quando são para cima de quinhentos. De qualquer maneira a aderência está sempre muito comprometida. O segredo está na motivação ou em ir num dia frio, pois nesses dias, como toda a gente sabe, não dá vontade nenhuma de urinar e defecar e além disso os morcegos mudam-se para altitudes mais baixas.

Enfim, foi mais uma primeira ascensão, desta vez heróica porque higienicamente difícil, com os friends previamente colocados. Sendo que, nesta via, a diferença não é significativa pois são de fácil e rápida colocação.

Via aberta pela dupla Roxo e Grilo em 2003

Fissura do meio no Covão, 8a?, 15 metros

Fissura de mãos, extraprumada, com crux final muito duro em regletes. Psicológica, no crux o friend fica um bocado abaixo dos pés. Parede muito fotogénica com cores incríveis que vão do laranja ao verde. Continua de projecto e não sei quem abriu a via.


A fissura situa-se no meio da parede laranja que se vê ao fundo.
Foto: Miguel Catita


Nuno Pinheiro na fissura do Covão.
Foto: Isabel Boavida

Quarto Crescente, 7c, 45 metros

Linha super estética num diedro perfeito, muito liso e com uma fissura estreita onde por vezes entram os dedos e por outras as unhas. São necessários muitos micro-friends e tem uma plaquete. Escalada de diedro super técnica e muito masoquista (que o digam os pés). Dentro do género um verdadeiro ex-líbris. Desta vez, a primeira ascensão foi à séria sem a batota de friends previamente colocados.

Via aberta pela dupla Roxo e Grilo em 2002

Desequilíbrio Perfeito L2, 7b, 35 metros

Fissura em meia-lua muito atraente. Parede ligeiramente tombada, escalada técnica onde predomina a bavaresa ou o dulfer (como quiserem!). Já não me lembro bem mas parece-me que tem duas plaquetes. Também foi a primeira ascensão e mais uma vez, com os friends postos.

Via aberta pelos Paulos Roxo e Gorjão.

Lua Cheia L1, 7c, 25 metros

Esta via tem duas partes completamente distintas e separadas por um repouso quase completo. A primeira parte começa com uns passos físicos numa laje, seguidos de uma travessia em fissura quase horizontal e acaba com a passagem de um pequeno tecto. Esta parte da via é espectacular, muito contínua e de auto–protecção, havendo apenas uns pitons fixos. A segunda parte está toda protegida com spits, começando com uma sequência dura em presa pequena que dá o grau à via e acaba com uma fácil placa tombada. O Zé Abreu libertou esta via o ano passado.

Via aberta pelo Roxo em 95.

p.s. Texto revisto e alterado por FCS

07-11-08

Permalink 20:38:43, by Ricardo Alves Email , 128 words   Portuguese (PT)
Categories: Bloco

A Pedra do Urso marca o início das hostilidades das Underground Boulder Sessions que vão varrer o País Norte a Sul, ou mais precisamente Norte a Centro. Esta 1ª sessão foi no fim de semana de 25 e 26 de Outubro e contou com muito bom ambiente e boa disposição! Assim é fixe...

Aqui ficam algumas fotos de mim e da malta!

Eu a encadear o Harakiri:
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(nota: foto de Edgar Silva)

Nuno a voar no mesmo bloco:
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Edgar a ver onde vai aterrar:
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Mário no fotogénico Poda com F:
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Edgar a apertar à muerte no Faina:
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Mário a pegar o Monstro:
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Edgar quase a flashar o Corrente Ascendente:
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Mário num novo projecto à frente do Corrente:
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(nota: é favor não rodar a imagem 90º :D)

05-11-08

Permalink 18:24:34, by FCS Email , 0 words   Portuguese (PT)
Categories: Outros

30-10-08

Permalink 18:50:22, by Nuno Pinheiro Email , 603 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica

Desde a minha ida o ano passado a Indian Creek e Yosemite que ando com uma vontade imensa de escalar fissuras. Em Portugal existe muito granito e portanto muito potencial para este género de escalada, mas não existem muitas vias de verdadeira escalada de fissura, ou seja, vias em que a maioria da escalada é efectuada pela fenda pois o resto da parede é lisa.
Embora Portugal não seja o paraíso para este género de escalada, procurando encontram-se algumas magnificas linhas, como o “Palácio da Lua” no Cabo da Roca, a “Never Land” na Serra da Freita ou a “Apocalipse Crack” na Serra da Estrela.

Hoje vou escrever sobre pequenas mas desafiantes fissuras localizadas em grandes blocos na Serra de Sintra e nas quais passei alguns finais de tarde este verão. Não me sinto à vontade para graduar este género de escalada mas vou dar uns palpites. Obrigado ao Fernando pelas fotos.

(os números no texto correspondem à imagem)

1 - Guerra das Trincheiras - 7b(duro) – 12 metros – Não tem nenhum perno nem top. Escalada muito variada e técnica. Fissura de punhos, de mãos, offwith, aplats, regletes, puxadores. Encadeei com os friends postos, tem uma passagem difícil de proteger (friends grandes). Com umas fitas compridas é possível montar top nas raízes de uns arbustos recentemente cortados. É fácil subir e destrepar pela parte de trás do bloco. O Gaspar e o Miguel foram os primeiros a tentarem esta via. Não consigo identificar exactamente na foto, é algures por ali. A zona está bastante diferente pois muitas das árvores foram cortadas. Situa-se na Tapada do Mouco. Entrar ou saltar o portão seguir a estrada até passar por cima de uma linha de água, subir um pouco e virar na segunda à esquerda, seguir mais um pouco e já se visualiza o bloco.




2 - Porta Aberta – 6b – 10 metros - Fissura de mãos onde a entrada é o mais duro. Que eu tenha conhecimento fui eu e o Fernando os primeiros a escalar esta via. Fácil montar top com friends e o acesso por trás também é muito fácil. Seguir recto em direcção aos calhaus que se vêem da estrada.




3 - Cu da Velha – 6b+ - 8 metros – Fissura de mãos e punhos, com uma parte extraprumada. Tem top equipado. Acesso muito evidente, entrar no parque andar 2 minutos e o bloco está do lado direito do caminho.




4 - Penedo do Rei.
Transcrevo as indicações do Rosado, assim se não encontrarem a culpa não é minha.
Do centro da vila de Sintra, seguir para a Igreja de Stª Maria, passar pelos Serviços Florestais e subir o trilho em direcção ao Castelo dos Mouros. Passar uma porta rotativa e subir a longa escadaria. Passar pelo túmulo do escritor Ferreira de Castro (pedra com um banco esculpido e uma gravação em sua memória). Daqui seguir pelo meio do mato, por um trilho que se situa ao lado do túmulo. O caminho desaparece, sendo preciso um pouco de paciência e de sofrimento (silvas) para descobrir o penedo.

Este bloco tem 2 fissuras interessantes:

Lay Off - 7a+ – 10 metros - Top equipado. Parede vertical, bavaresa desgastante e de difícil posicionamento para colocar os friends embora estes fiquem à bomba. O crux é no final sair da bavaresa.




Fissura Este – 6b– 10 metros - Tem uma plaquete no top, é fácil destrepar pela parte de trás. Fissura de mãos diagonal em parede ligeiramente tombada, crux é no inicio na parte mais vertical.(não tenho imagens desta útima fissura)

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