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26-01-09

Permalink 10:06:04, by Nuno Pinheiro Email , 382 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica

O encanto e a singularidade da escalada no Utah está longe de se esgotar em Indian Creek, existe muito mais para descobrir e desfrutar. Um desses encantos é sem dúvida as torres no deserto. O fascínio que estas exercem sobre os escaladores não se limita ao desafio da escalada em si ou ao apreciar do ambiente e fantásticas vistas da parede, mas também à vontade de conquista do cume, uma motivação talvez parecida com a que move tantos alpinistas nas montanhas.

A primeira torre que escalei no deserto foi a peculiar e ultra clássica Anciant Art nas Fischer Towers em 2000 com o Franscisco e a Ana. Estávamos em pleno Agosto e tivemos de madrugar para evitar as temperaturas escaldantes. Tirando o último largo, é uma escalada fácil, pouco interessante, em rocha de qualidade muito duvidosa e de difícil protecção. Esse último largo é um 6b quase todo equipado que começa com uma travessia em cima de um muro estreito com a particularidade de haver um precipício de cem metros para ambos os lados. Se esquecermos a sensação de vazio e as vertigens, não é mais do que andar em frente meia dúzia de metros. No final da travessia há que fazer um salto de cavalo para cima do bico bem visível na foto e escalar até se ficar de pé em equilíbrio na pequena e instável pedra poisada no cimo da torre. Escalar algo tão diferente e frágil é sem dúvida uma aventura que fica gravada na memória.

O ano passado escalei com a Isabel a não menos famosa Castleton Tower pela via mais fácil, a North Chimney. Desta vez não ia com as costas quentes e portanto a responsabilidade de abrir os largos mais duros cabia-me a mim. A pouca (ou nenhuma) experiencia em fissuras, um jogo de friends muito limitado e saber que tínhamos que ultrapassar um pequeno off-with deram alguma adrenalina a esta aventura que afinal acabou por se revelar mais fácil do que esperávamos. O mais difícil talvez tenha sido a caminhada de regresso, quase uma hora sobre um sol abrasador de Verão. Terminámos a mergulhar nas águas acastanhadas do rio Colorado.





22-01-09

Permalink 01:02:46, by Nuno Pinheiro Email , 134 words   Portuguese (PT)
Categories: Desportiva

Há dois meses que ando lesionado nas costas e como tal não tem havido grandes novidades. O impedimento de escalar durante um período tão longo tirou-me a motivação para continuar a escrever quando podia aproveitar o tempo livre para colocar uns posts referentes a aventuras antigas. Embora me pareça que ainda estou longe de ficar bom, já voltei a escalar um pouco e espero colocar alguns textos nos próximos tempos.

Esta foto foi tirada pelo Fernando no último sábado no Espinhaço na via Logicamente Ilógica. A via está totalmente equipada, é só um largo e foi aberta pelo Paulo Roxo. Quanto ao grau supostamente é um 7a :), mas eu tive que recorrer aos freinds para conquistar o top e parece que a via ainda está por encadear!

12-01-09

Permalink 18:02:18, by Hugo Email , 124 words   Portuguese (PT)
Categories: Desportiva

A RedPoint informa que se realizará, durante o mês de Fevereiro de 2009, um curso destinado a todos aqueles que pretendem iniciar a prática de Escalada Desportiva em Rocha natural.

O referido Curso, contará com os formadores Hugo Peniche e Mafalda Marreiros, ambos escaladores experimentados e Licenciados em Educação Física e Desporto.
O mesmo será constituído por sessões teóricas e práticas nas quais se procurará garantir a aptidão dos alunos para a iniciação da prática autónoma da Escalada Desportiva, nomeadamente de acordo com todos os requisitos de segurança.

Todos os interessados em participar, ou apenas saber mais informações, deverão contactar para: 916216636 (Hugo Peniche); ou para o email: hugopeniche@gmail.com

15-12-08

Permalink 11:04:20, by Nuno Pinheiro Email , 992 words   Portuguese (PT)
Categories: Clássica

Indian Creek situa-se no famoso Oeste americano que nos habituámos a ver nos filmes de cowboys (a qualquer momento esperamos ver o John Wayne a aparecer a cavalo). É uma zona desértica de uma beleza inóspita e invulgar, onde a cor predominante é o vermelho. É formado por vários canyons sempre com grandes paredes (+-70m) de ambos os lados repletas de fissuras. A rocha é um arenito vermelho, suave e muito macio. A escalada não é menos invulgar, sendo sem dúvida um lugar único no mundo.

A zona tem um potencial incrível, existindo dezenas de sectores, todos eles com dezenas de linhas e com muitas mais por abrir. São tantas as fissuras que a densidade de vias é igual a qualquer sector desportivo em calcário (estilo Guia!). A grande maioria das vias só tem as reuniões equipadas, muito raramente se encontra um spit para proteger uma zona de placa. Existem vias de dois largos embora a maioria só tenha um e termine a meio da parede.

Normalmente, as vias são muito fáceis de proteger pois são fissuras perfeitas, ideais para a colocação de friends. É importante não espaçar muitos os friends pois por vezes estes saltam devido à rocha ser muito macia. Quase sempre são necessários muitos friends repetidos porque as vias têm em média trinta metros e muitas das fissuras levam sempre o mesmo número.

A escalada é muito peculiar, usando-se só as fissuras para a progressão pois o resto da parede tende a ser lisa. Essencialmente existem duas formas de escalar: ou em dulfer, técnica usada sobretudo nos diedros (existem muitos em Indian Creek), ou recorrendo a entalamentos de qualquer parte do corpo (dedos, mãos, braços, pés, pernas, etc.).

A escala de graduação é um pouco diferente da escala americana, não havendo correspondência directa à escala francesa. A escala americana é 5.12a = 7a+, 5.12b = 7b, 5.12c = 7b+, 5.12d = 7c, 5.13a = 7c+ e por ai adiante, mas em Indian Creek em vez das letras usam ‘+’ e ‘-’, ou seja em vez de haver quatro subdivisões para cada número (a, b, c, d) existem só três (-, sem sinal, +). De qualquer maneira, na realidade, o grau ali diz muito pouco acerca da dificuldade pois a escalada é muito morfológica. Saber os friends que entram em cada via dá mais informação acerca da dificuldade que o grau. Por exemplo, alguém que tenha mãos finas consegue entalar facilmente em fissuras da largura do camelot vermelho, mas alguém com mãos grandes não consegue.







No início de Outubro, eu e o Bruno Gaspar fomos participar no 1º encontro internacional de escaladores em Indian Creek. Todos os continentes estavam representados, havendo escaladores de 24 países diferentes, num total de oitenta pessoas. Fomos bem recebidos e, como é próprio dos americanos, estava tudo super bem organizado apesar de a logística ser muito complexa. Em Indian creek não há nada, não há hotéis, não há campings, nem sequer há água e a cidade mais perto fica a uma hora de carro.

Por cada dois estrangeiros havia um guia, ou seja, um americano que conhecia bem o local e que se ofereceu para ajudar no encontro. Havia todo o tipo de escaladores, desde o puto que faz 8b de bloco até ao velhote que se dedica mais à escalada alpina. Desde os fanáticos que escalam todos os dias até ao escalador ocasional que visita as falésias uma vez por mês. Mas na hora de escalar fissuras por vezes era possível ver o escalador de quinto grau a dar dicas ao mutante que aquece em oitavos.






No final do dia o jantar estava pronto à nossa espera e depois juntávamo-nos à volta da fogueira. Todos os dias a Brittney (uma das organizadoras) falava um pouco e distribuía prémios pelos factos mais marcantes do dia. Que podiam dever-se a qualquer coisa, desde o encadeamento mais duro até ao escalador mais fashion! Num dos dias ganhei um dos prémios pela maior e mais aparatosa queda.

Já agora um pequeno parêntese para falar desta queda em que voei dez metros de cabeça para baixo! Todo este aparato deveu-se a dois erros. Eu estava muito perto do top numa posição de impasse com o último friend um pouco abaixo dos pés, entrei mal no passo e já não conseguia ir para cima nem para baixo. Primeiro erro: para me tranquilizar coloquei um friend por cima da cabeça, mas ficou totalmente aberto porque não tinha o número certo. Passar a corda nesta protecção foi um tiro no pé pois eu tinha a certeza que o friend não ia aguentar e assim caí muito mais. Segundo erro: não agarrei a corda quando caí. A via era um diedro em que uma das faces é tombada. Sempre que se cai é importante agarrar a corda para prevenir que nos viremos ao contrário. Nos extraprumos, tirando raras excepções, uma pessoa só se vira ao contrário se tiver a corda atrás da perna, mas numa placa tombada quando os pés batem contra a parede durante a queda, têm tendência a subir e é fácil dar a cambalhota para trás.

A boa organização, os participantes e o lugar em si, fizeram com que estes dias tenham sido incríveis, com muito bom ambiente e muita energia positiva. Pudemos partilhar experiências com pessoas de culturas muito diferentes mas unidas pela escalada.





Fotos Bruno Gaspar , Krzysiek Rychlik e Anna Piunova

Links:
Artigo do Chris Weidner sobre o encontro

Site do encontro

Artigo da climbing sobre o encontro

Artigo em português escrito por Samanta Chu, uma brasileira que participou no encontro

Mais informações sobre Indian Creek, num blog espanhol muito bom

Outro link do mesmo blog

10-12-08

Permalink 20:05:55, by Ricardo Alves Email , 614 words   Portuguese (PT)
Categories: Bloco

Fazer bloco em Agosto, digamos que é irracional… isto é, se queremos apertar com as mínimas condições de aderência! Aqui nesta ponta da Europa apenas conheço Hoya-Moros que fica a mais de 2000 metros de altitude e Sintra, é claro!! A explicação científica para Sintra, em Agosto, ter as mesmas condições de aderência do vale glaciar dos bois, fica para outra oportunidade…

A solução é pois, sair da Península e ir escalar para as altas paragens alpinas do Norte de Itália, Suíça e Austria! A viagem é grande e longa, são mais de 2000 km até ao norte de Itália e por isso reservei 3 semanas de férias. Como nada conhecia das zonas de bloco, à excepção de Magic Woods onde já tinha estado, mandei vir dois guias pela internet o iBloc e o blocheart feitos pela dupla Ulrich und Harald Röker. Infelizmente só cheguei a receber o guia de Itália (a Amazon depois reembolsou-me pelo outro) e assim apostei as férias no Norte de Itália.

Annot:
A primeira paragem que fizemos foi ainda em terras francesas, passamos 2 dias numa simpática escola chamada Annot. Os blocos situam-se ao longo de uma encosta e uma única estrada de terra vai serpenteado os vários sectores. A envolvente do local foi um pouco desilusão, tendo em conta que a comparação que é feita com Fontainbleau. Mas realmente, a rocha é parecida com a de Bleau, na textura e formas dos blocos, embora me tenha parecido um pouco mais branda. Era fácil a orientação pelos sectores com este croqui mas entender a escala de graduações é que era sério. Mas lá descobri uma tabela de conversão no Parque de Campismo de Annot!

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Rifugio Barbara:
Já em Itália, na zona de Piemonte - Torino, fizemos uma pequena paragem em Bobbio, uma micro zona de bloco com alguns bons blocos, mas que estava nitidamente fora de época, dada a baixa altitude!

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Depois subimos até aos 1800 metros para conhecer o belíssimo vale de Rif. Barbara e ver as impressionantes linhas abertas pela mão de Christian Core, tais como ‘’kimera’’ – 8c e outras barbaridades. O local surpreendeu-me muito pela positiva, um sitio idílico, calmo e com um grande potencial para blocos super duros. Aliás a escalada é muito ao nível de Hueco, placas a 45º com micro reglets ou proas com a-plats impossíveis. Enfim, um festim para a animalidade que há em nós!! Um lugar a voltar mais vezes e até há croqui disponível aqui!

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Rifugio Levi Molinari:
Também situado nos 1800 metros, este vale é em tudo parecido com o Rif. Barbara, com excepção de não ter 70% dos blocos acima de 8a! A rocha aqui é quartezito à prova de bomba e blocos para todos os gostos.

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Foppiano:
Seguimos para Norte, entrando no Val d’Ossola e fomos conhecer Foppiano. Uma bonita zona de bloco escondida no interior de uma floresta de coníferas, situada a 1300 metros de altitude. Aqui predominam linhas fáceis, num bonito granito esverdeado!

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5 dias de chuva…
A razão pela qual tudo aquilo é tão verdinho!

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Val di Mello:
Por fim o dilúvio acabou e o Sol veio devolver a felicidade aos escaladores! Os restantes dias de bloco foram passados em Val di Mello, um pequeno grande paraíso! Granito de excelente qualidade, uma sensação de imensidão ao género de Yosemite e um vale com um rio cristalino e centenas de blocos em seu redor. Foi escalar até à pele se acabar…

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Mais fotografias em:
http://www.pbase.com/ricardoalves/italia
http://www.pbase.com/ritasilva/travel_memories__italy_set_2008

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